como deixar os filhos crescerem?
Quando se planeja ter um filho se inicia um projeto de vida, recheado de sonhos e expectativas, ao menos é assim que deveria ser…
Tenho refletido muito sobre a falta destas expectativas e sonhos, dos pais em relação ao futuro dos filhos, ou melhor, sobre a não comunicação destas no relacionamento familiar. Não como cobrança, mas como desejo de crescimento, de sucesso, de construção. Mas este é um outro assunto, inclusive, citado no post anterior.
Meu foco aqui é discutir a complexidade da tarefa de educar para o mundo… Isso já foi tema de outros posts, mas gostaria de aproveitar um momento especial da minha vida para tratar de um aspecto deste tema como experiência pessoal, também.
Quem trabalha com desenvolvimento infantil sabe da importância de desenvolver a autonomia, a autoconfiança das crianças. No entanto, muitas vezes, esquecemos que o adulto também precisa desenvolver-se, trabalhar seus medos e inseguranças para poder permitir que a criança cresça.
Como pais, precisamos garantir que nossos filhos conheçam nosso afeto e sintam nele segurança e suporte. Quando este laço afetivo é forte e foi bem construído, mesmo estando longe de nós, nossos filhos sentem-se amparados e seguros, podem confiar na nossa palavra quando dizemos que vai ficar tudo bem, que eles podem sair para o mundo dando passos firmes e confiantes. E que, se precisarem de nós estaremos lá, sem demora.
Na sexta-feira passada, minha filha de 4 anos viajou com os avós paternos para a casa deles em Joinville, vai passar 1 semana lá. Isso é uma grande conquista para nós duas. Mas o que é preciso ressaltar é que tal conquista foi construída por nós duas, na força de nossos laços afetivos, na confiança entre nós.
Embora tenha ouvido muitas e muitas vezes antes, que eu não deixava ela ficar, que ela poderia ficar dias com os avós. Esta é a primeira vez que ela vai.
Sei que para quem não trabalha com desenvolvimento infantil tudo parece simples, é apenas questão de deixar ou não deixar. Não se percebe a importância do sucesso desta primeira aventura na vida da criança. Para que este sucesso ocorra, não basta que a criança goste muito das pessoas que com ela ficarão, é necessário que ela tenha o mínimo de condições intelectuais para saber do que se trata, e recursos emocionais para não sofrer com a ansiedade de separação.
Não adianta dizer para uma criança de 2 anos que ela ficará 1 semana de férias com os avós, ela não tem a menor idéia do que seja 1 semana, ela ainda chama ontem de amanhã… A passsagem do tempo é uma questão muito complexa nesta idade, muitos dias longe dos pais, ou de seu cuidador principal, pode ser sentida como abandono.
Desta maneira, causar sofrimento, interferindo severamente em seus sentimentos com relação a afastamentos temporários, e, muitas vezes, impossibilitando férias posteriores.
Não é nosso papel, enquanto pais, apenas deixar ou não, esta não deve, de forma alguma, ser uma decisão por capricho ou que dependa de nosso humor ou estado de espírito. Precisamos, antes de mais nada, diante de um novo desafio para nossos filhos, prepará-los, fortalece-los para que alcancem o sucesso e sejam felizes. Para que possam, no momento adequado, sair de perto de nós, sentindo-se seguros e confiantes no nosso afeto e suporte.
Bem, 4 dias já se passaram e, ao que tudo indica, esta é apenas a primeira de muitas férias de sucesso para a Sofia. E para mim, como mãe, um momento de satisfação e orgulho por ajudar minha princesa a crescer para o mundo. E assim, quem sabe, crescer com autonomia, confiança no seu próprio potencial e no afeto entre mãe e filha.
19/07/2010 às 12:08
Eu estava esperando por um post sobre esse assunto e gostei muito da maneira como você explicou seu ponto de vista.
Só posso imaginar a dificuldade de “deixar” essa viagem acontecer e te parabenizar por pensar na construção de autonomia da minha afilhada com tanto carinho.
Parece fácil, mas conhcemos muitos pais que tomam decisões dizendo que isso é melhor para filhos quando, sabemos, na verdade a decisão é muito mais confortável para eles (os pais).
Parabéns pela coragem, minha amiga!
Beijos, Lu
19/07/2010 às 18:03
Lu,
tua companhia foi fundamental na sexta-feira…
beijos