Implicações na escolha por ter um filho
Depois de alguns dias sem escrever, retorno com um tema que pode nos ajudar a analisar tantas formas de violência contra crianças que vemos por aí. Especialmente sobre a violência contra as crianças faremos uma discussão em outro post. Este post é apenas um de vários, sobre um leque de temas interligados e de extrema importância para a qualidade de vida de todos nós, individualmente e em Sociedade.
Como já foi colocado em outro post, a família sofreu e continua sofrendo inúmeras mudanças ao longo da História. Sendo assim, nosso posicionamento dentro da família tanto altera sua configuração como é alterado pelas mudanças ocorridas.
Quando pensamos sobre a escolha, o desejo por um filho, sabemos que existem muitas mães que engravidam sem planejamento, que não haviam ainda refletido sobre o seu desejo, porém este aspecto será abordado e discutido em outro post. Neste momento discutiremos a escolha em si, que aspectos estão envolvidos quando uma casal escolhe o caminho da maternidade/paternidade.
Quando escolhemos algo, estamos abrindo mão de outras possibilidades, por mais simples que seja a nossa escolha. Todos os dias fazemos inúmeras escolhas desde o momento em que levantamos da cama, aliás, levantar da cama já é uma escolha (estamos abrindo mão de ficar debaixo das cobertas…)
Todas as escolhas que fazemos implicam em conseqüências, quanto mais “séria” esta escolha, maiores as conseqüências e talvez mais importantes as coisas das quais necessitaremos abrir mão em prol dela.
Quando se escolhe ter um filho é necessário abrir não de uma série de coisas. De forma grosseira, quando você escolhe ter um filho está abrindo mão de ser uma pessoa sem o compromisso de um filho (com tudo o que isso implica).
Uma decisão como esta pode significar abrir mão de coisas que foram arduamente conquistadas, liberdade, independência, status, carreira. A vivência da necessidade de abandonar ou perder tudo isso pode representar um momento de crise, com toda a certeza representa um momento de mudança profundo.
Sabemos que diante de momentos de grandes mudanças muitas vezes faz-se necessário um processo de luto para que estas perdas sejam elaboradas e que a nova rotina seja aceita e incorporada. Este pode ser um momento de introspecção, onde o apoio de pessoas próximas pode ajudar.
Talvez em algum momento, quando a vivência das mudanças mais significativas estiver mais próxima ou sendo vivenciada as etapas do luto apareçam e o casal crie planos onde consegue levar o mesmo estilo de vida que levava antes do nascimento do bebê. Ou então, se isole para tentar se encontrar dentro desta nova realidade. Em momentos assim podem ocorrer desentendimentos entre o casal, uma sensação de perda, etc.
Vamos dividir o percurso de quem deseja um filho em dois caminhos que podem ser percorridos: o caminho de quem deseja um filho e engravida e o caminho de quem deseja um filho e depara-se com dificuldades para engravidar ou não engravida. A depressão pós parto e a escolha por não ter filhos, também serão abordadas em posts separados.