recebi programação do IV Colóquio, de uma amiga e estou divulgando.
IV COLÓQUIO DIREITO, MEDICINA E PSICANÁLISE
Curitiba, de 09 a 11 de junho de 2011
Local: Setor de Ciências da Saúde – Rua Padre Camargo nº 120
Inscrições e Certificados: www.posjur@ufpr.br
Comissão Científica: Prof. Carlos Alberto Faraco, Prof. José Antônio Peres Gediel, Prof. Rogério Mulinari, Psic. Vânia Regina Mercer
TEMA DO EVENTO
Vida, saúde e norma: intoleráveis ambiguidades
Apresentação e Justificativa:
Muito embora a maior parte da população brasileira não tenha sequer acesso às tecnologias e fármacos de ponta, os limites da vida e da morte estão pretensamente passando a depender muito mais da possibilidade de acesso às novas tecnologias da saúde e do conhecimento médico em aplicá-las, do que da constituição física de cada indivíduo.
Em decorrência, a saúde concebida como um direito fundamental exige a elaboração de políticas públicas complexas e que requerem enormes somas de recursos públicos para promover o acesso dos cidadãos aos novos fármacos e técnicas.
A normatividade estatal, cuja centralidade é uma das marcas da modernidade, sofre a constante erosão e se adapta ao ritmo e à linguagem de “marcos normativos” fixados por inovações tecnológicas na área da saúde. Ao mesmo tempo, a gestão da vida e da morte passa a tratá-las como mercadoria – uma commodity monopolizada pelas grandes corporações da indústria farmacêutica. O jurídico passa a se legitimar por sua adequação, precisão e especialização em relação à técnica. Os conflitos em torno da saúde são cada vez mais judicializados e potencializados.
Formam-se novas comunidades e redes, que ultrapassam as categorias políticas e sociais clássicas, aproximando desiguais e superando nacionalidades, com base em aspectos positivos do sujeito ou negativos de determinadas doenças ou epidemias.
A subjetividade encontra-se profundamente afetada, diante da crença no avanço ilimitado das novas tecnologias da saúde, disputadas por sujeitos postos em diferentes posições sociais: portadores/ destinatários/ pacientes/ usuários; pesquisadores/ médicos/ profissionais da saúde/ e da informática; produtores/ fabricantes, e gestores de políticas públicas.
O corpo ganha novos significados para todos esses sujeitos, que ora o vêem como sede própria para aplicação de técnicas voltadas à manutenção da saúde e da vida; o vislumbram como fonte de materiais e dados genéticos aplicáveis às artes e às novas descobertas; o identificam como matéria-prima para a fabricação de novos produtos ou, ainda, como base de acesso a novas estratégias de poder.
Na sociedade tecnológica, os indivíduos lançados na condição de portadores/ destinatários/ pacientes/ usuários das novas tecnologias da saúde experimentam a profunda solidão do afrouxamento dos laços sociais promovidos no processo de laicização dos primórdios da modernidade, em que as relações asseguradas pelo direito passaram a ser as únicas legitimadas pela coletividade.
Os pesquisadores e médicos têm seu poder e prestígio aumentados, à medida que aderem às novas tecnologias propostas pelo florescente mercado da saúde. As relações médico-paciente são alteradas por técnicas que, cada vez mais, diminuem o contato direto entre os polos dessa relação. Da saúde voltada a controlar a higidez física dos trabalhadores chega-se à impossibilidade do controle das epidemias. Cada epidemia revela, sucessivamente, à ciência, na pessoa do médico, os seus limites. Em um processo de defesa funcional coletiva, a indiferença médica encobre o sofrimento dos profissionais da saúde, cabendo à formação médica acolher e trabalhar suas defesas.
As corporações produtoras de fármacos e tecnologias investem na coleta, classificação, estocagem, pesquisa e identificação de elementos extraídos do humano que propiciem a fabricação de novos produtos ou a reprodução desses mesmos elementos a serem colocados no mercado, em colaboração com gestores públicos.
Ciência, mercado e poder têm como destinatário final a vida dos sujeitos, explorando as questões narcísicas de recusa à infertilidade, do desejo de eterna juventude e imortalidade. A falta, a morte e a doença apresentam-se intoleráveis.
Diante de tais desafios, este IV Colóquio convoca os detentores de distintos saberes a reconhecerem as insuficiências de cada campo, para se colocarem como sujeitos políticos no debate sobre as relações de poder engendradas pelas tecnologias da saúde no campo da subjetividade, da normatividade e das ciências da vida. Ouçamos as vozes da arte e os silêncios dos sujeitos.
PROGRAMAÇÃO:
Dia 09/06 – (quinta-feira)
Manhã:
8,30 h – Credenciamento
9,00 h – Abertura
9,30 h – Painel
10,30 h – Conferência de Abertura
Tarde:
Fórum sobre cuidados paliativos
14,30 h – 1º Painel
16,00 h – 2º Painel
Noite:
19,30 h. – 1ª Conferência
21,00 h. - 2ª Conferência
Dia 10/06 – (sexta-feira)
Manhã:
8,30 h – Painel
10,30 h – Conferência
Tarde:
Fórum de Literatura, Medicina e Direito
14,30 h – 1º Painel
16,00 h – 2º Painel
Noite:
18,30 h. – Lançamento de livros
19,30 h. – 1ª Conferência
21,00 h. – 2ª Conferência
Dia 11/06 – (sábado)
Manhã:
8,30 h – Conferência
9:30 Painel
11,30 h – Conferência de Encerramento
Tarde:
Das 15,00 às 18,00 horas – OFICINAS SIMULTÂNEAS -
Inscrições Obrigatórias – Vagas Limitadas e Certificados Específicos-3hs.
Todas as Oficinas serão apresentadas por dois Debatedores e secretariadas por um Coordenador – 01 hora de apresentação e 02 horas de debates
Oficina A – Maternidades – Programa Brasileirinhos e Brasileirinhas–MS
Oficina B - Ética, Aborto e Eutanásia – Interfaces com as Religiões
Oficina C - Ruídos e Silêncios nos CTI’s
Oficina D- Biopolítica e Saúde Pública
Oficina E – Corpo, Arte e Norma
Convidados Internacionais
Armelle Giglio-Jacquemot ( Antropóloga – Universidade Lille III – França)
Daniele Brun ( Psicanalista filiada à Association Espace Analytique de Paris Universidade Paris VII)
Jason Szabo ( Médico-Chefe da Unidade de Infectologia do Hospital Geral de Montréal – Prof. de Historia da Medicina da Universidade MacGill – Montréal)
Jean-Caude Métraux (Médico Psiquiatra – Universidade de Lausanne- Suiça)
Patrick De Neuter ( Psiquiatra e psicanalista filiado à Association Espace Analytique de Paris – Universidade de Louvain – Bélgica)
TRADUÇÃO /VERSÃO: Laura Pereira
PROMOÇÃO:
Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR/CAPES
Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos – UFPR
Programa de Travessias
Association Espace Analytique de Paris
Société Médicine et Psichanalyse-Paris
APOIO:
Vice Reitoria da UFPR
Setor de Ciências da Saúde da UFPR
Setor de Ciências Jurídicas da UFPR
Editora UFPR
Fundação Cultural de Curitiba
Conselho Regional de Psicologia/PR
Conselho Regional de Serviço Social/PR
Conselho Regional de Medicina/PR
Associação Médica do Paraná
Associação Psicanalítica de Curitiba
Biblioteca Freudiana de Curitiba
Amigos Solidários do Luto
Unidade de Neurologia de Curitiba
